Possuir
- Estive Galhardi
- 4 de dez. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 6 de dez. de 2025

A liberdade tem me provocado nos últimos dias.
Insinuante e irritante.
Se exibe para mim.
Perfeita, irretocável, incorrigível.
Intocável.
Vadia, me atrai.
Eu sei que é paixão.
Mas tem dias que me parece amor.
Se mostra bela, altiva.
Se faz, por si, desejável.
Essencial, jamais dissimula.
A fantasio e, de fato, tem sido legitimamente obsessão.
Me arrebata, me seduz.
Sexy, desejável.
É constante, consistente e honra o que é.
Sempre.
Tácita, define-se porque se basta.
Em si.
Injusta.
Ignorantemente inalterável.
Sem dizer, muda. Nunca sequer se pronunciou.
Se altera conforme se altera a forma como se passa a percebê-la.
Tem dias que me irrita de forma tão intensa, que penso que ela, convencida do que é, sabe que não é e insiste na invenção. Inventamos.
Tem dias que penso que, _convictamente_, nem sabe que existe.
Falsificada… caricatura de si mesma. (Falsifiquei.)
Implacável.
Não me teme.
E, pior, sequer me considera.
Eu, inútil, a detesto. E então a cobiço.
Umedece meus lábios.
Eu a provo, sinto seu gosto.
É líquida, escorre.
Como o álcool, evapora rápido.
Some.
Me altera.
E então…
Ressaca.
Até parece alucinação ou embriaguez.
Tenho certeza de que me pertence.
Sinto que a possuí e, quase que no mesmo instante, parece que quem a inventou fui eu, em delírio.
Consciente, admite-se.
Admito-me.
Às vezes se doa, se empresta.
Assim como tudo, não quer pertencer.
É livre, não é minha.
Não é de ninguém.
A querer é não a ter.
Não se possui o que é livre.
Liberdade, tal qual felicidade, plenas em si, nunca em ninguém.
Sentimento não se possui.



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